sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A mentiras que você conta

A questão da mentira é algo complicado...
Devemos observar qual é a intenção da mentira, a sua finalidade.
A criança aprende a mentir para não ser castigada ou ser inferiorisada diante de seus colegas já o adulto mente sim mas muitas das vezes sem a consciência de que está mentindo. Pode ter razões patológicas e daí poderá gerar um problema para si próprio pois diante da sociedade poderá ser mal visto como não talentoso de fato ou como um " chato" para os mais próximos.
A questão é a seguinte: Por que mentir? O que te faz mentir?
Ser aprovado em um meio social ou conseguir uma promoção no trabalho?
Na maioria das vezes a mentira tem um sucesso externo, porém internamente você pode não estar sendo feliz com a vida que leva, com as amizades que conquistou, com o novo emprego que conseguiu.
Viver a sua realidade pode ser doloroso, mas mentir para o outro é na verdade estar mentindo para si mesmo e aí a sua consciência pode ficar tão sintomática que as suas conquistas nunca serão verdadeiras para você.
O sujeito que mente na verdade utiliza a mentira como uma possibilidade de melhores laços sociais mas no fundo pode estar sendo infeliz com suas escolhas de vida e com demandas que surgem. A mentira vem como uma substituição de algo de que você considera falho, insegurança, baixa da auto estima, quando queremos parecer algo melhor do que acreditamos ser.
Existem também os casos neuróticos ou psicóticos onde a mentira acontece devido a quebra de contacto com a realidade.
A mentira pode se tornar compulsiva, dependente, como qualquer outro vício como o álcool, as drogas e o tratamento psicológico pode ser o segundo passo a ser dado após o sujeito assumir que existe o problema.

Discurso de uma analista


Ao ser abordada por um paciente às vésperas de iniciar sua análise, o analista se distingue da função de conhecido, vizinho... Também não existe hierarquia.

O discurso apontado pelo paciente muitas vezes acompanhado pela vergonha, é natural, visto que a vergonha está ligada a um sentimento de " perda do seu segredo". Estar em relação ao olhar do outro é de fato um constrangimento porém suas questões devem ser postas na análise para que seu sofrimento existencial mesmo que mais ousados, diversificados se transforme em um ato de reconhecimento, em um processo de descobertas.Um tratamento é singular. Cada caso é singular. É sempre como se fosse o primeiro paciente a iniciar uma análise.
"A psicanálise não visa suprimir os sintomas" ( Freud 1926:256) mas sim chegar ao fim das resistências do sujeito.
Não desejamos impor ou colocar o sujeito de acordo com nossas posições e opiniões, mas sim auxilia-lo com limites, confrontos internos durante a escuta com formas, critérios, responsabilidade e ética.
O seu bem estar psicológico é a ideologia de saúde mental.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A riqueza que nós temos

Vocês se lembram desta parte de letra da música do Legião Urbana?
" A riqueza que nós temos, ninguém consegue perceber..."
Refletindo percebi que para sermos reconhecidos da forma como queremos ou gostamos, precisamos nos mostrar mais e mais e mais quando necessário. Desejar ser reconhecido pelo o que você faz, ou pelo o que você pratica,pelo o que você é...depende da sua forma como se expõe ao outro. O outro, que na realidade é qualquer que não seja você vai te perceber da maneira como ele recebe a sua mensagem. Ou ainda você terá que se esforçar um pouco mais até que esta percepção seja da forma que você pretende. Ainda assim pode acontecer do outro não alcançar o que você quer mostrar, da forma que você deseja mostrar e aí, esta será uma questão puramente alheia, do outro. O outro não nos perceber da forma como desejamos nem sempre depende da maneira que estamos agindo...Podemos ser doce e termos fama de ser arrogante; Ser engraçado e ter fama de palhaço ou ainda ser tímido e ter a fama de ser sério, antipático.
Isto pode gerar em você uma vontade enorme de querer provar o que você realmente é...Mas será que você está sendo como realmente é ou como gostaria de ser visto?
A riqueza que nós temos, ninguém consegue perceber, diante disto questiono aqui até aonde o outro consegue nos perceber como realmente somos? Isto é importante para você?
Confie em sua riqueza e em SUAS verdadeiras preocupações dedicando-se á sua análise pessoal.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ciclo,repetição...

Muitas vezes quando paramos para rever nossas vidas, nossos valores, nossos feitos podemos observar que alguém muito próximo em quem confiamos, nos espelhamos, nos influenciamos, geralmente alguém de mais idade que a nossa, tem um histórico de vida parecido com o que criamos para a gente. Cito criamos aqui porque as nossas vidas, as nossas escolhas e atitudes são criadas (feitas) por nós mesmos.
Repensar de onde vim para onde vou é pensar em quais características estamos nos espelhando "neste" outro que citei acima. Sim, porque existem bons feitos ou não, não é mesmo?
Sinto ciúmes porque minha mãe também é assim, sinto mágoa porque meu avô fez o mesmo com minha avó, sinto raiva de fulano porque me ensinaram que fulano não é gente boa, desconfio porque me ensianaram a ser assim, comprei tal carro porque meu pai gostaria de ter um deste, curto doces caseiros assim como minha avó, sou tímido porque meu irmão sempre foi melhor que eu, faço terapia porque eles acharam melhor assim....Espera aí...Suas escolhas, devem ser articuladas de acordo com a sua própria vontade.
É claro que não devemos levar ao extremo. Até porque é bacana trocar com o outro idéias e opiniões.Uma pessoa com mais experiência de vida pode ter um discurso significante.
Em quem você se espelha? Lembre-se, podemos admirar o outro sim, mas é bom ter o zelo de não repetir dificuldades, sentimentos e atitudes que não são nossos. São questões alheias que poderemos vir a repetir inconscientemente.
Não justifique seus "porques" indevidamente.
Cabe aqui repensar. Por que sinto ciúmes? Por que sinto mágoa? Por que sinto raiva? Por que escolhi tal lugar? Por que escolhi tal caminho? Por que quero "X" e não "Y"???

" Como vocês sabem, nós não nos vangloriamos jamais da completude e do acabamento definitivo de nosso saber e de nosso poder. Estamos tão prontos,agora, como estávamos, antes, a admitir as imperfeições de nosso conhecimento, a considerar qualquer coisa nova que se apresente, e a modificar, na nossa abordagem, o que possa ser colocado como algo melhor."
Sigmund Freud ( 1919:201).

sábado, 24 de janeiro de 2009

A análise das Transformações

O ano começa, as promessas aparecem , mas não necessariamente acontecem...Então pensei em algumas considerações...
Uns dizem que é sempre assim, todo ano, a mesma euforia, a mesma energia positiva para que tudo dê certo, seus projetos aconteçam, a vida caminhe em harmonia, os pássaros cantem, borboletas circulem...Tudo azul! Tá...Mas...Acontece mesmo?
Para você é assim? Acontece desta forma? Ou você quando vê o natal já chegou, o ano novo está por vir e a "globeleza" quase pintando na área?
De fato o que você realmente faz por você? Pela sua vida? Seus maus costumes mudaram? Parou de fumar? Parou de implicar com a vizinha ( só porque tem corpão bem definido, é bonita mesmo e te incomoda), com o emprego que te consome... Sim, sim, reclamar, falar mal é bom também. Mas te faz bem? Ou é alguma questão sua mal resolvida?
Às vezes é tudo tão corrido que nem pensamos nesses tantos pontos de interrogação,nem nos efeitos colaterais que possam surgir e o tempo passa, nada acontece, fica até parecendo que o tempo não passou, ou que está passando rápido demais.
Mais uma vez eu digo, por que não reclamar? Por que não projetar impulsos? Pode acontecer de alguns impasses levarem mais tempo ou não levarem tempo algum para que seja solucionado. Porém, trata-se de converter uma situação inadequada numa outra situação apropriada. Sua vontade comanda e em algumas vezes a clínica psicológica é fundamental na abordagem para se chegar a tal conquista.
Você tem alguma filosofia de vida? Se sente feliz fazendo mais isto do que aquilo? Gosta de ser chato e implicante mesmo? Ótimo! Você é assim? Ótimo! Bacana podermos assumir o que somos, poder controlar nossos passos na tentativa de não nos perdermos de nossos objetivos em todos os sentidos: trabalho, casa, filhos, amigos, amores, romances, seus discursos, linguagem, expressão, possibilidades e o que mais você achar.
Seria interessante refletir o modo que vive, convive, o que anda fazendo por você de verdade, para que mesmo quando os objetivos não forem alcançados, você tenha a segurança de que tentou fazer o melhor que pôde por você!
Quando se fala em ir ao analista, questões como estas permitem a análise destes pontos que sugerem a nossa tranformação.